Existem coisas na vida que parecem fugir um pouco da tal lógica humana, isso dita por aqueles que se julga normais, sem manias ou coisas afins. Mesmo que Freud explique – ou tente – algumas dessas coisas fazem uma diferença enorme na vida, pra toda ela.
Quem um dia não guardou - ou ainda guarda - aquele papel escrito ainda do tempo do colegial? E a velha coleção de caneta, de caixinhas de fósforos, de garrafa de refrigerante e por ai vai. Seja como for e aonde for, sempre existirá quem, por saudosismo ou carinho mesmo, faça questão de ainda manter tais coisinhas. Um dia desses um bom e queridíssimo amigo comentava comigo que tinha, depois de anos, comprado um colchão novo, que até pensou em comprar um novo há mais tempo, mas que não tivera coragem, pois o antigo lhe trazia fortes e boas recordações, tal como aquela velha calça jeans que só deixemos de lado quando não existe mais nenhuma possibilidade de uso.
Mas quantas recordações cabem num colchão? Quantos bons momentos já foram vividos em cima dele, e não falo de sexo, mas de coisas além. De quando se chega cansado e é em cima dele que nos jogamos, buscando horas de sono e de relaxamento. De quando tristes e desolados também corremos para o quarto e em cima do colchão derramamos lágrimas, lamentações e solidão. Quem ao sair, a passeio ou não, teve que dormir fora de casa, e por mais confortável que possa ser o quarto e por conseqüência o colchão, este não tem o mesmo encaixe, o mesmo conforto que tem aquele velho e tão gostoso colchão que temos em casa.
Quando qualquer casal começa montar a própria casa o primeiro item a ser pensado é no colchão. O tamanho, a textura, que peso ele agüenta, afinal, é em cima do colchão que quase sempre eles estarão, pelo menos no começo, pois depois começam a variar lugares e jeitos, e mesmo que eles busquem outros lugares, tais como um bom motel, o astro principal é o colchão.
Ao passarmos de carro e vermos pedintes dormindo ao relento e em cima de placas de papelão ou jornais certamente pensamos: “Poxa, nem um colchão para dormir eles tem”.
Colchão já foi símbolo de luxo, isso aconteceu nas culturas mais avançadas tais quais as Egípcias, Romanas e Gregas. Em 3400a.c. o Rei Tut dormia em uma cama feita de ébano (madeira nobre), enquanto os cidadãos dormiam sobre folhas de palmeira. Estima-se que o primeiro colchão foi desenvolvido pelos romanos. Ele era feito de palha, pelo animal, algodão e lã. Além disso, os romanos ainda desenvolveram o primeiro colchão de água, diferente de hoje em dia, ele era utilizado com água morna para deixar a pessoa com sono, assim como uma banheira. Como pudemos conferir, não é de hoje que o colchão vem contribuindo e modificando-se com o passar dos tempos.
Lembro de um antigo comercial de colchão que dizia assim: “Duas razões prováveis para uma noite mal dormida: um colchão muito ruim ou uma mulher muito boa”.
(Colchões Ortobom)
O colchão que meu amigo se referia carregava em “sua alma” a história de tantos e bons momentos vividos. Sozinho ou acompanhado, não importa, assim como também não importa o tamanho, a forma, o modelo, colchão - caro ou não - é mais do que necessário, é imprescindível para o bem viver, melhor dizendo, imprescindível para o bem dormir. Até mesmo um grande poeta fez citação ao colchão em um de seus versos: “O amor é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar”.
Carlos Drummond de Andrade tinha razão; e imbuindo de toda emoção é e será toda aquele que no dia que tiver que abrir mão de seu velho colchão sentir-se triste, pois ali estará parte de sua história, e pelo que me consta, boa parte de nós foram concebidos – no mínimo - em cima de um colchão.
By Storni Jr –Dez 2008.
Comentários